
A CHUVA TOCA PIANO
NA CABEÇA DO TELHADO...
O matuto do batente
Fica olhando o firmamento
O céu ficando cinzento
Onde o sol se faz ausente
O Tabaréu logo sente
E entre surpreso e animado
Prende os bichos no cercado
E agradece ao soberano
E a chuva toca piano
Na cabeça do telhado.
Pelejou o ano inteiro
Com rezas e procissões
Perdeu muitas criações
O sol secou seu terreiro
Rachou o chão do chiqueiro
Lhe deixando angustiado
Agora, seca é passado
vai ter agua todo ano
E a chuva toca piano
Na cabeça do telhado.
O seu filhinho pequeno
Nunca vira tempestade
Com 3 aninhos de idade
Só tinha visto sereno
Aquele seco terreno
Onda brincava animado
Nunca esteve tão molhado
De medo acabou chorando
E a chuva toca piano
Na cabeça do telhado.
Do rêgo em frente da casa
A água vai ao barreiro
Abastece por inteiro
Que de tão cheio extravasa
O arribaçã molha a asa
Brincando desconfiado
Olhando pra todo lado
Molha o bico e sai cantando
E a chuva toca piano
Na cabeça do telhado.
As galinhas no puleiro
Vão se trepando e ficando
O galo sobe empurrando
Um frangotinho encrenqueiro
O cachorro no terreiro
De frio todo arrepiado
No terraço aconchegado
Procura um trapo de pano
E a chuva toca piano
Na cabeça do telhado.
E assim toda mataria
Amanhece esverdeada
O trovão dando pancada
São salvas de alegria
Dando pinote uma gia
Se entrepando num cercado
Mete a lingua no coitado
De um grilo que vai passando
E a chuva toca piano
Na cabeça do telhado.
Não percam, em Novembro de 2007 o poeta e pesquisador do Cangaço Paulo Moura estará lançando seu novo livro: Lampião, A Trajetória de Um rei Sem Castelo) que conta como se desenvolveu toda a historia do cangaceiro desde o seu nascimento até sua morte em 28 de julho de 1938...
Aguardem!!!

